— Eu queria te querer um pouco menos, precisar um pouco menos, sonhar um pouco menos, esperar menos, pensar menos, precisar menos, chorar menos, me iludir menos, te amar menos, queria grandes coisas em quantidades pequenas, pra que em excesso elas não acabem me fazendo mal, queria abraçar menos, escrever menos sobre você, te olhar menos, sorrir menos ainda pra ti, falar menos, queria ser menos estranha, menos criança, menos desajeitada, menos palhaça, queria ser menos eu pra ser mais do que você precisa, mas eu percebi que quero ser mais eu pra te fazer não precisar tão menos de mim.
— Beatriz Fontenele (d-esvaneio)

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Não guardo rancor, mas não tenho amnésia.


— Psiu.
— Fala.
— Para com isso…
— Parar com isso o que?
— De ser tão fria comigo.
— Não estou sendo fria.
— Tá sim.
— Não tô não.
— Tá bom, não está. Mas você mudou.
— Não mudei.
— Mudou.
— Não, não mudei. Quem mudou aqui foi você.
— Eu? Continuo sendo o mesmo.
— Aham.
— Olha lá.
— O que?
— Tá sendo fria de novo.
— Não estou sendo fria, só não quero discutir com você.
— Você tá distante de mim, você tá me evitando.
— Prefiro assim.
— Mas o que foi que eu fiz?
— Nada.
— Nada…
— Tudo bem, o único problema aqui sou eu. Você não tem nada a ver.
— Para de ser modesta. Depois que a gente terminou, você mudou.
— Se fosse só eu… Mas foi eu e você, nós mudamos.
(Silêncio)
— Mô?
— Oi?
— Mô?
— Fala.
— Tá vendo?
— O que?
— Você não nega ainda ser o meu amor.
— E daí?
— Não precisa ficar vermelha.
— Não tô vermelha.
— Tá sim, cada vez mais.
— Cala a boca.
— Você tá linda assim.
— Cala a boca!
— Sinto sua falta.
— Mandei calar a boca.
— Mas…
— Quieto! Também sinto sua falta.
— Mô?
— O que?
— Posso falar?
— Já tá falando…
— Volta pra mim?
— Mas eu nunca fui embora.
— Um diálogo clichê que faria bem pra qualquer um; Mariana Padella   (via nostalgia-insensata)